O problema do “mesmo”

Neste post, deixarei o Cegalla e o Cláudio Moreno falarem por mim.

, 13 de março de 2013

Existe muita birra com o uso de "o mesmo" e suas variações em contextos que, pela norma-padrão, seria esperado o uso de pronomes pessoais do caso reto de terceira pessoa ("ele" e suas variações).

Vejamos o que dois importantes nomes dos estudos sobre a língua no Brasil nos dizem a respeito dessa expressão e quais conselhos em relação ao seu uso eles dão.

Cegalla (Dicionário de dificuldades da língua portuguesa)

"Evite empregar mesmo como substituto de um pronome, em frases do tipo:

  • Não suportando mais a dor, procurei o dentista, mas o mesmo tinha viajado.
  • Não dê carona a pessoas desconhecidas, porque as mesmas podem ser assaltantes.
  • Os donos dos armazéns se obrigaram a estocar e manter os cereais em bom estado, mas os mesmos não respeitaram o contrato.
  • O pescador salvou o náufrago e ainda ofereceu ao mesmo a sua cabana.

No primeiro exemplo, fica melhor: mas ele tinha viajado. No segundo, pode-se dispensar as mesmas ou substituir pela expressão elas. No terceiro, substitua-se os mesmos por eles. No exemplo final, troque-se ao mesmo pelo pronome lhe: e ainda lhe ofereceu a sua cabana."

Cláudio Moreno no Guia prático do português correto (vol. 3)

"(...) errado não está (...). Dos muitos recursos que o nosso idioma oferece para a anáfora (referência a algo que já foi mencionado anteriormente - no caso, o elevador), esse emprego do mesmo é talvez o mais pobre e o mais confuso. Por que não escrever, em bom vernáculo, "Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar."?

O que acham do assunto? Muito barulho por nada ou tem algum fundamento?


Escrito por Carol Machado,
em 13 de março de 2013.
Mestranda em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. Autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)
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