Diferentes funções, mesma profissão: os tipos de revisor de texto

Qual é a diferença entre o copidesque e o preparador de originais? E o revisor de texto faz o quê? Para que serve um leitor crítico? Tire essas dúvidas neste post e conheça um pouco mais sobre quem faz o que no mundo da revisão.

, 10 de janeiro de 2014

Qual é a diferença entre o copidesque e o preparador de originais? E o revisor de texto faz o quê? Para que serve um leitor crítico? Tire essas dúvidas neste post e conheça um pouco mais sobre quem faz o que no mundo da revisão.

Os nomes para as funções mostradas aqui podem variar conforme a empresa, assim como as atribuições de cada cargo podem ser diferentes. Caso tenha alguma dúvida, utilize os comentários!

Copidesque (copydesk)

1 revisão de texto a ser publicado, tendo em vista a correção ortográfica e gramatical, a clareza, a adequação às normas editoriais, os cortes para se obter a extensão devida etc.; copy
Derivação: por extensão de sentido.
setor de jornal, editora, firma de publicidade etc. onde se executa esse trabalho
substantivo de dois gêneros
Derivação: por extensão de sentido.
profissional com essa especialidade; copy editor
Fonte: Houaiss, 2009.

Segundo o Houaiss, o copidesque seria uma espécie de faz tudo na editoração, ou seja, faria o papel que normalmente se atribui ao revisor, ao preparador e também ao editor.

Marina-Colasanti-Copidesque
Marina Colasanti atuando como copidesque na redação do Jornal do Brasil. Fonte: marinacolasanti.com.

Na prática, os copidesques fazem a limpeza inicial do texto. Buscam, além dos problemas de grafia, falhas de coesão e coerência, problemas no encadeamento de ideias, problemas de estrutura. Um copidesque geralmente tem mais liberdade para mexer no texto que um revisor.

A herança do copidesque vem das antigas redações de jornais, onde havia um profissional que “arredondava” os textos dos outros jornalistas, adequando-os à linha editorial da publicação.

Preparador de originais

Rubrica: editoração.
profissional que padroniza originais com vistas à sua publicação
Fonte: Houaiss, 2009.

Não há critérios que separem o copidesque do preparador de originais. As editoras não têm um consenso sobre quem faz o quê. Como bem sabemos, também não temos nenhum tipo de regulamentação sobre nossas atividades, então cada empresa adota o nome que bem entende. Sendo assim, eu diria que preparador e copy podem ser a mesma pessoa e ter a mesma função.

Ainda dentro do ofício de melhorar os textos para publicação, incluo aqui o cotejo com original (quando a obra é traduzida), que consiste em verificar, frase a frase, a existência de saltos de tradução, erros, inconsistências com o original etc.

Revisor de texto (ou revisor de provas)

2 Rubrica: editoração, artes gráficas.
indivíduo que executa trabalho de revisão de originais ou de provas tipográficas
Fonte: Houaiss, 2009.

É muito importante saber que o preparador não tem de fazer o papel de revisor e o revisor não tem de fazer o papel de preparador. São duas atividades distintas realizadas em etapas diferentes da editoração.

O revisor verifica se o sumário está de acordo com o “miolo”, capas, quebras de texto, a conformidade de todos os padrões, enfim, tudo o que se refere ao texto do material já diagramado. É ele quem faz a leitura do final do trabalho para certificar-se de que nenhum “pastel” foi deixado para trás.

Ao revisor de texto cabem os ajustes finos do livro, no material já diagramado e geralmente impresso ou em PDF, ou seja, não é ele o responsável por problemas de coesão e coerência do texto, por exemplo.

Leitor crítico

aquele que, em editoras, companhias teatrais etc., está encarregado de ler e avaliar os originais remetidos pelos autores
Fonte: Houaiss, 2009.

Leitor crítico

Tratando-se de literatura, o leitor crítico fica encarregado de avaliar a qualidade da obra não só do ponto de vista da qualidade da escrita como também da qualidade narrativa.

Ele aponta inconsistências no enredo, pontos fracos da trama, pontos fortes que podem ser mais bem explorados, apelo comercial da história e por aí vai. O leitor crítico é uma espécie de anjo da guarda do escritor que sugere o momento certo para uma possível edição da obra.

Revisor técnico

Temos um post inteirinho só sobre revisão técnica. Caso queira saber mais sobre o assunto, pode ler aqui.


Escrito por Carol Machado,
em 10 de janeiro de 2014.
Mestranda em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. Autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)
Foto de Carol Machado