A fábula do freelancer e como “ter alpiste todos os dias”

Um dos maiores desafios de qualquer freelancer é a renda intermitente.

, 14 de dezembro de 2018

A tirinha chamada A fábula do freelancer, dos pássaros que têm um diálogo sobre liberdade vs. “ter alpiste todos os dias”,  já passou pelas minhas timelines um punhado de vezes. É normal que ela provoque reflexão naqueles que escolheram largar a estabilidade de seus empregos para alçar voo solo.

Afinal, não saber exatamente quanto se vai ganhar no fim do mês pode ser desesperador quando se é adulto e os boletos não esperam até o mês que vem (não sem juros, pelo menos).

tirinha a fábula do freelancer

No entanto, não é verdade que, para se ter uma renda previsível, é preciso haver um emprego. Assim como nem todo emprego precisa ser necessariamente uma “prisão”. Essa dicotomia funciona como ponto de humor na tirinha, mas sem dúvida existem muitos profissionais que pensam dessa forma.

⇒ Você já me segue no Instagram? Se ainda não, siga lá: @Revisaoparaque.

Por isso, compartilho aqui alguns fatores que podem ajudar você a ter uma vida freelancer mais estável.

Clientes recorrentes

Trabalhar com clientes recorrentes tem muitas vantagens. Você cria relacionamentos, parcerias que o ajudam a crescer como profissional e empresa; além disso, sabe que pode contar com certa quantidade de trabalho todos os meses. Outra vantagem é não precisar fazer tanto esforço para vender, o que ocupa bastante tempo na agenda do freela.

Por exemplo, eu não trabalho com valores fixos, ou seja, eles pagam apenas pelas demandas que têm a cada mês. Ainda assim consigo saber a média dos trabalhos que me enviam, o que me permite saber a minha renda média.

Isso quer dizer que você não precisa cobrar um “salário” do cliente ou trabalhar como pejotinha para ser freelancer e ter renda previsível.

Aqui vão alguns tipos de clientes que podem ter interesse em uma parceria de longo prazo e recorrente:

  • qualquer empresa que trabalhe com produção de conteúdo permanentemente, como agências de propaganda, marketing de conteúdo, assessoria de imprensa etc.;
  • empresas que têm internamente um setor de comunicação e marketing;
  • empresas que mantêm um blog corporativo;
  • empresas que produzem materiais educativos;
  • plataformas de produção de conteúdo.

 

Tenha em conta que, quanto mais direto for o cliente, maiores são as possibilidades de que ele pague mais do que aqueles que são intermediários de serviços, como são as plataformas de trabalho.

Clientes diversificados

Eu sei que lidar com diversos clientes que pagam um pouquinho requer mais trabalho do que trabalhar para um cliente que paga bastante. A questão é que, trabalhando para apenas uma pessoa ou empresa, se você perder esse único cliente, todo o seu planejamento vai por água abaixo.

Um dos pontos fundamentais do sucesso na vida freelancer é aprendermos a nos proteger dessas vulnerabilidades. Assim, ter quatro clientes que paguem R$ 500 pode ser mais vantajoso que um cliente de R$ 2.000. Se pudermos ter os cinco clientes, então, melhor ainda! 😉

A diversificação da carteira também ajuda quando se trabalha em ramos sazonais. Por exemplo, muitos revisores dedicam-se à revisão de textos acadêmicos, que tradicionalmente é mais requisitada nos fins de semestre. Se o revisor tiver outros tipos de clientes, ele não fica tão exposto aos períodos em que quase não há textos acadêmicos.

O valor da poupança

Falando em épocas de alta e baixa demanda, é impossível não tocar no assunto economia. Embora existam pesquisas mostrando que a maioria dos freelas no brasil ainda ganha muito pouco, a ideia da poupança deve estar presente desde o primeiro dia de trabalho. E essa ideia precisa ser posta em prática assim que for viável.

Dessa forma, é mais fácil (fácil, fácil nunca é, né?) conter a empolgação naqueles meses em que a demanda sobe e ganhamos mais do que estamos habituados. Esse dinheiro extra, ou pelo menos parte dele, precisa ser guardado para as épocas de baixa demanda.

Paciência é uma virtude, especialmente para o freelancer

Se nada do que eu disse acima fez sentido para você, digo que é normal que no início os trabalhos sejam mais esporádicos. Os clientes recorrentes vêm com o tempo, à medida que você cria conteúdo, recebe indicações de clientes e amigos, aprende sobre prospecção e vendas, enfim, quando se consolida como profissional.

Por fim

Nem todo mundo tem um perfil que aceita os riscos e as intermitências de viver de freela e isso é totalmente ok! Mas, se você acredita nessa forma de trabalho, saiba que existem meios de torná-la mais previsível, como mostrei neste artigo.

Você tem estratégias para driblar a renda imprevisível? Ajude outros freelas compartilhando as suas dicas aqui nos comentários.

 


Escrito por Carol Machado,
em 14 de dezembro de 2018.
Mestranda em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. Autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)
Foto de Carol Machado