Livros para revisores: Gramática da língua portuguesa padrão

Nesta série de posts de livros para revisores, descrevemos e analisamos obras que podem ser de grande ajuda no seu dia a dia.

, 27 de maio de 2015

A Gramática da Língua Portuguesa Padrão foi lançada em 2014 pela Edusp (Editora da Universidade de São Paulo). Ela é a materialização da proposta exposta por Amini Boainain Hauy em outra obra sua: Da necessidade de uma gramática-padrão da língua portuguesa, de 1983.

A proposta de Hauy com Da necessidade foi exatamente criar uma gramática de referência da língua portuguesa padrão de modo uniforme, ordenado e coerente, porque são características que, segundo a autora, faltam às principais gramáticas normativas do nosso país.

Além disso, a intenção da obra não é puramente impor a norma culta a todas as camadas linguísticas, tampouco “desprestigiar a incontestável importância das demais variantes da língua”, como diz Hauy, ou ignorar as mudanças do idioma. A ideia básica, portanto, é fazer uma “sistematização objetiva dos fatos linguísticos tradicionais”.

Uma gramática normativa

O corpus dessa gramática, entretanto, mostra sua veia altamente normativa (o que, pela proposta, não é nenhum desmérito): a autora ilustra sua abordagem recorrendo a textos como a Constituição de 1988, o Código Civil e autores mais “tradicionais”, especialmente Fernando Pessoa e sua Obra poética.

É uma obra extensa, com mais de 1.340 páginas, redigida conforme o Novo Acordo Ortográfico. Outro ponto interessante são as observações da autora ao longo de toda a gramática, nas quais estabelece comparações entre as próprias prescrições e as de outros gramáticos, bem como algumas questões controversas em relação ao Volp, ao Novo Acordo e a outros decretos e diversas obras de referência.

Conteúdo da Gramática da Língua Portuguesa Padrão

  • Origem e formação da língua portuguesa
  • Língua escrita e língua falada
  • Gramática: conceito e divisão
  • Fonética
  • Ortoépia
  • Prosódia
  • Ortografia
  • Estrutura das palavras
  • Processos de formação das palavras
  • Morfossintaxe das classes de palavras (artigo, substantivo, adjetivo, numeral, etc.), morfossintaxe do que e do se
  • Frase – oração – proposição
  • Os componentes da oração
  • Período
  • Sintaxe de regência
  • Sintaxe de concordância
  • Anexos: Formulário Ortográfico (1943); Nomenclatura Gramatical Brasileira (1959); Lei 5.765/1971; Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990).

Destaques

Os destaques da obra são muitos, como os excelentes quadros sinóticos, mas cabe destacar principalmente os capítulos dedicados à morfossintaxe do que e à morfossintaxe do se, que, juntos, abrangem em torno de 40 páginas.

Quando usar?

Pela própria natureza e extensão da obra, altamente normativa e detalhada, ela pode servir a diversos gêneros textuais, sem muitas limitações, mas sempre com precaução. Entretanto, julgo ser mais recomendada para revisores que trabalham com textos jurídicos (também pelo fato de seu corpus, como dito, se basear nos textos da Constituição de 1988 e no Código Civil), para autores clássicos (como no caso de reedições) ou autores contemporâneos de estilo sóbrio, mais “tradicional” e culto, além de livros didáticos (com cautela), artigos acadêmicos formais e manuais diversos.

Onde adquirir

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Links

ARE (Academia Ribeirão-pretana de Educação) – Amini Boainain Hauy.
Sala de Visita – Entrevista com Amini Boainain Hauy (YouTube).

Leia também o Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante!

Sugestões?

Caso você tenha alguma sugestão de obras para comentarmos aqui na coluna Livros para revisores, mande-nos aqui!


Escrito por Allan Moraes,
em 27 de maio de 2015.
Paulistano, divide o tempo entre tentar aprender línguas, livros de filosofia e o trabalho como revisor freelancer.
Foto de Allan Moraes