A seguir você verá algumas sutilezas gráficas que em geral redatores e “pessoas comuns” não notam, mas cujas correções fazem parte do dever do revisor na padronização do texto.

Aspas retas e aspas curvas

Na verdade, na tradição gráfica do português não são usadas aspas retas. O nome do sinal é plica: simples (′) ou dupla (″). Elas são usadas para simbolizar:

  • unidades de tempo – minuto (′) e segundo (″);
  • unidades de tamanho – pé (′), polegada (″).
Importante: essas formas de representação de tempo com plicas não são acolhidas pelo Sistema Internacional de Unidades; tampouco o são as medições em unidades imperiais (embora polegadas sejam usadas, por exemplo, para indicar tamanhos de telas).

Outro uso para a plica simples se dá em transcrições fonéticas padronizadas segundo a convenção do Alfabeto Fonético Internacional (p.ex.: [ta′tu] tatu), nas quais o sinal indica a marcação de sílaba tônica.

Enfim, o uso das plicas pode ser bem restrito em língua portuguesa, o que contrasta com o uso abundante de aspas simples e duplas.

Excluindo os casos que citei (usos matemáticos, transcrições fonéticas), dê sempre preferência ao uso das aspas simples (‘ ’) ou duplas (“ ”) corretamente ajustadas para abrir e fechar citações, destacar estrangeirismos ou palavras com significado diferente do original, marcar títulos de obras etc. Peça a alteração quando detectar esses usos equivocados.

→ Leia também: O uso das aspas.

Apóstrofo (’)

O apóstrofo serve, em língua portuguesa, para marcar na escrita a supressão de um fonema de acordo com a pronúncia.

Não escreva ou deixe passar, por exemplo, caixa-d´água (com acento agudo no lugar do apóstrofo) ou caixa-dágua (com plica simples). O correto é caixa-d’água (o símbolo é o mesmo do fechamento de aspas simples).

Grau (°) e ordinal (º)

Sim, existem dois símbolos e eles são diferentes! Eles não estão à toa no seu teclado. A função do grau é, na matemática, marcar ângulos, servindo também para, por exemplo, formar a unidade de medida de temperatura em Celsius (22 °C). Já para o símbolo de ordinal, pode-se dizer que é um pequeno ‘o’ ou ‘a’ sobrescrito (1º; 2ª). Não use, entretanto, a função do Word de elevar caractere para criar as letras ‘o’ ou ‘a’ sobrescritas.

Para fazer o sinal de grau use as teclas [Alt] + [0176]; para ordinal masculino, [Alt] + [0186], ambos no teclado numérico (aqueles que ficam no lado direito do teclado e que normalmente não existem em notebooks vendidos no Brasil).

Importante: algumas editoras exigem que o ordinal venha sempre sublinhado. O problema é que algumas fontes não oferecem esse traço por padrão. Informe-se com o editor sobre esse assunto ou verifique o manual de padronização da publicadora.

Hífen, meia-risca, travessão

Nosso amigo Davi Miranda já escreveu sobre o assunto, então aqui me atenho ao básico. Caso queira se aprofundar, visite o texto dele. 😁

Hífen (-) é usado para unir palavras compostas, separar sílabas no fim de uma linha e unir verbos aos pronomes átonos em posição de ênclise ou mesóclise. (As regras do hífen ficam para outra ocasião.)

Meia-risca (–), ou traço de ligação, ou ainda traço médio, é usada muitas vezes no lugar do travessão como sinal de pontuação a depender do padrão editorial. O AO de 1990 aboliu seu uso em encadeamentos de palavras, como em “Ponte Rio–Niterói”, então se usa o hífen: “Ponte Rio-Niterói”.

Travessão (—) é usado na tradição gráfica brasileira para marcar falas de personagens e em intercalações, substituindo vírgulas ou parênteses. Para saber mais sobre o assunto, você pode consultar uma boa gramática. Como dito, ele pode ser substituído pela meia-risca (geralmente em intercalações no meio da frase), dependendo do padrão adotado pela publicação.

Três pontos e reticências

Embora estejamos acostumados a grafar as reticências repetindo o ponto final três vezes, é importante observar a forma correta de fazê-lo, como sinal único.

Geralmente, para esse sinal, o atalho no teclado é [AltGr] + [ponto final] ou [Alt] + [0133] (no teclado numérico).

Símbolo de multiplicação (×) e letra xis (x)

Todo cuidado é pouco ao editar materiais que abordem matemática. Um desses cuidados envolve usar o caractere correto para a multiplicação, que muitas vezes é substituído por um xis.

Para usá-lo, você pode ir à aba Inserir do Word, clicar em Símbolo, depois em Mais símbolos, ou usar o atalho [Alt] + [0215] (no teclado numérico).

Por que fazer essas correções?

O ideal é que, desde a preparação de originais, esses problemas gráficos já estejam resolvidos, para que as provas saiam mais “limpas”. De qualquer forma, todos os revisores que passam os olhos pelo material devem corrigir esses erros.

Não pretendemos aqui dar exemplos à exaustão, mas apenas destacar a importância de nos alertarmos até mesmo para as menores sutilezas a fim de que o resultado de nossas revisões seja sempre um (bom) texto profissional.