Revisores de texto são infalíveis?

Algo que persegue os revisores desde sempre é a ideia de que nós não erramos. Não erramos ao nos comunicarmos, não erramos trabalhando.

, 24 de outubro de 2013

Não. Poderia terminar o post aqui? Sim! Haha!

Algo que persegue os revisores desde sempre é a ideia de que nós não erramos. Não erramos ao nos comunicarmos, não erramos trabalhando.

Mas, com mais sinceridade do que eu gostaria, vou dizer de peito aberto: sim, nós erramos!

Claro que alguém cuja profissão requer eliminar o erro deve estar sempre em busca da excelência. Acho que é o que a maioria faz. Mas vale lembrar que não somos máquinas, aliás, em relação a textos, erramos menos do que elas.

O que me levou a escrever este post foram duas situações pelas quais passei recentemente. A primeira delas foi em uma reunião com um prospect. Perguntaram-me se éramos infalíveis contra erros. Com uma lágrima no canto do olho, respondi que não. Aí você vai pensar “ora, Carol, você não pode dizer isso para o cliente”. Mas não é algo que acontece? Quanta expectativa estarei gerando ao dizer que absolutamente nunca erro?

Isso leva à segunda situação, que ocorreu no curso de Revisão Textual do professor Paulo Ledur. Ele tem mais de 50 anos de experiência em revisão de textos. Já trabalhou com grandes nomes da literatura gaúcha. Dá aulas há tanto tempo quanto revisa, mais que o dobro do que eu tenho de vida. Na ocasião, ele foi taxativo ao dizer que não existe livro sem erro. Se ele, do alto de seus 50 anos de experiência, não tem problemas ao dizer isso, fico mais tranquila com a minha consciência e posso conviver um pouco melhor com a franqueza de não afirmar algo que não poderia cumprir diante de meus futuros clientes.

Para que servem os revisores, então?

Revisores de texto

Imaginem um livro com mais de 1 milhão de palavras. Uma, apenas uma, sai com erro. Entre 1 milhão de possibilidades de erro, apenas 1 deles foi publicado. E os outros 999.999? Provavelmente o revisor impediu que muitas possibilidades de erro se tornassem reais. Não parece menos assustador agora?

É claro que, a cada dia, estudamos, pesquisamos e queremos ser melhores, mais atentos, ter um olhar mais aguçado para o erro. Quanto a isso não há dúvidas.

O que podemos fazer para minimizar o problema?

Uma leitura nunca é o suficiente para qualquer texto. O ideal é que várias pessoas leiam o mesmo material. Ter prazos de entrega humanamente possíveis também faz parte do programa erro zero.


Escrito por Carol Machado,
em 24 de outubro de 2013.
Mestranda em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. Autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)
Foto de Carol Machado