Revisão de tradução | Áreas da revisão

Todo 28/3 é especial. Este ano comemoramos ouvindo profissionais de que trabalham com revisão de tradução.

, 27 de março de 2017

Em primeiro lugar, como não poderia deixar de ser: feliz dia, revisores! Para comemorar nossa data e com o intuito de ampliar os horizontes aqui no Revisão para quê? — o que pretendemos fazer ao longo do ano —, hoje temos convidados muito especiais que vão falar um pouco sobre como é revisar em agências de tradução.

Não dá para negar que muitos de nós começamos na revisão por ter um amor em comum: livros. Mas isso não nos impede de conhecer outras áreas e encarar nosso trabalho por novos ângulos. Afinal, o que temos a perder?

Onde trabalham tradutores e revisores de tradução?

Assim como muitos daqueles que prestam serviços para em editoras, grande parte dos tradutores que trabalham para agências de tradução o fazem remotamente, na maioria das vezes em seus home-offices, e poucos têm a chance de estar todos os dias dentro dos escritórios.

O trabalho remoto tem suas vantagens, sem dúvidas, mas a principal desvantagem é que, mais cedo ou mais tarde, o tradutor freelancer acaba perdendo a noção da integralidade do processo.

Por exemplo, um projeto pequeno de 300 palavras pode envolver um gerente de projetos, um revisor, um engenheiro de localização e um profissional de editoração eletrônica, além do tradutor. E, claro, a participação de cada um desses profissionais terá seus próprios desdobramentos.

Que ferramentas específicas o revisor precisa conhecer?

O processo de revisão não envolve apenas o conhecimento do idioma (mais uma vez, essa é somente uma das peças do todo), mas discernimento para propor correções pertinentes, paciência para trabalhar textos de baixa qualidade e muito tato para enviar feedbacks, principalmente quando não são agradáveis.

De certa forma, revisar um texto é acessar a intimidade de quem o traduziu, e expor as fraquezas de alguém em um nível tão pessoal é tarefa que exige muita, mas muita, sensibilidade.

Revisar um texto é acessar a intimidade de quem o traduziu.

Por si só, esse arcabouço de responsabilidades intransferíveis já deposita um bom peso sobre nossos ombros.

Diante disso, por que não confiar tarefas mecânicas e repetitivas à tecnologia? Por exemplo, se você se esqueceu de trocar pontos por vírgulas nos separadores de milhar, se não percebeu que o tradutor usou a mesma frase para traduzir originais diferentes, ou se não viu que o termo X foi usado no lugar do termo Y que estava no glossário, algumas ferramentas podem ver isso por você.

Uma ótima ferramenta de verificação é o Xbench, e o Bruno já até gravou algumas instruções básicas. A instalação é rápida, você aprende a usá-lo em minutos e ele certamente vai enxergar vários detalhes que seus olhos, por mais atentos que sejam, vão deixar passar.

O Verifika também segue essa linha, mas tem um período determinado de avaliação gratuita. Para feedbacks, uma opção interessante é o Change Tracker, que gera um relatório em formato de tabela com tudo o que foi modificado no texto. E, para empresas que buscam um procedimento mais robusto de avaliação, vale a pena dar uma olhada no TQAuditor.

Em suma, automatize tudo o que puder. Computadores não sentem sono, não se cansam nem se distraem, então se aproveite disso. Treine uma ferramenta, alimente-a com checklists e expressões regulares, inclua dicionários… use e abuse. Tudo isso combinado com um procedimento pessoal de qualidade pode fazer milagres pelo seu trabalho.

A importância do trabalho em equipe e da comunicação

Se fizermos um recorte do trabalho de tradutores e revisores, existem pelo menos três etapas (as famosas TEP – Translation, Editing e Proofing). Além disso, há entregas parciais, avaliações, planilhas de dúvidas, consultas esporádicas e avaliações de qualidade. Enfim, os tradutores são parte de um todo muito maior e mais complexo. Quem trabalha sozinho em casa pode ter dificuldade de alcançar essa percepção.

Para que esse grande mecanismo de coletividade funcione sem danos, é importante abastecê-lo com dois combustíveis essenciais: comunicação e entendimento.

O mediador da comunicação nas agências é o gerente de projetos, assim como os editores em projetos literários. No entanto de nada adianta a comunicação sem que haja o entendimento de sua importância. Em outras palavras, um projeto nas mãos de um gerente ou editor que não compreenda a importância das boas habilidades comunicativas está fadado a tropeços.

De nada adianta a comunicação sem que haja o entendimento de sua importância.

O mesmo acontece com tradutores e revisores. Se o tradutor não entende a importância de contar com uma boa revisão, a qualidade do projeto pode ficar comprometida. Se o revisor não procura conhecer o caminho do tradutor para tomar decisões no texto, a comunicação fica ineficiente. Simples assim.

E o que acontece quando uma das peças desse mecanismo não existe? E quando a agência não tem um procedimento consolidado de revisão? E quando os tradutores não podem contar com um bom revisor?

O TransMit

O Projeto TransMit surgiu em uma tentativa de responder essas perguntas, e até agora estamos pensando nas respostas. Em 2016, constatamos que 100% dos tradutores atendidos simplesmente não recebem feedbacks, ou recebem feedbacks vagos demais.

Esses resultados fizeram surgir outras perguntas: por que isso acontece? Será a falta de revisores qualificados no mercado de tradução? Será a falta de interesse das agências em investir nos procedimentos de qualidade?

Ainda não temos todas as respostas para esse turbilhão de dúvidas, mas nada nos impede de arregaçar as mangas e contribuir para mudarmos esse cenário. Por isso gravamos um vídeo com algumas reflexões sobre o assunto e preparamos um presente especial para revisores e tradutores. Clique abaixo e descubra o que é!

Quero conhecer os presentes!

Conheça os autores

Mitsue Siqueira — chocólatra formada em Letras (Português-Inglês) pela UFF. Como Language Specialist na Ccaps, está sempre em contato direto com os tradutores, mas também adora conhecer pessoas nos congressos e grupos de tradução. Nas horas vagas, coordena o Projeto TransMit, iniciativa que busca minimizar as dificuldades mais comuns de tradutores (iniciantes ou não) no mercado de trabalho.

Bruno Fontes — engenheiro de localização há 15 anos, trabalha em agências de tradução desde que se entende por gente e é gerente de projetos na Ccaps. Nas horas vagas, desenvolve ferramentas, monta procedimentos automatizados e cria macros de tudo o que vê pela frente. No TransMit, além de gerenciar projetos, oferece treinamento especializado de ferramentas de tradução, o TransMit Tools.


Escrito por Carol Machado,
em 27 de março de 2017.
Mestranda em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. Autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)
Foto de Carol Machado