Como cobrar por uma revisão de texto

Um dia você acorda com aquela vontade maluca de virar revisor de textos. Não importa se passará a ser chamado de chato, se as pessoas ficarão com medo de escrever algo para você. Você está decidido. É o destino. Seja, pois, bem-vindo à revisão de textos!

, 4 de fevereiro de 2015

Você não sabe nem por onde começar a como cobrar por uma revisão de texto. Então o que fazer agora? Como lidar? Onde encontrar clientes? E, quando encontrar, quanto cobrar pelo trabalho?

Não me pergunte quanto e como você deve cobrar. 

Sempre tento ajudar quem recorre a mim para tirar dúvidas sobre revisão de textos. Algo que aparece toda semana no meu inbox, no da página do Revisão para quê?, ou no meu e-mail são perguntas do tipo: "Carol, quanto eu cobro pra revisar o texto 'x'?" ou então "Carol, é melhor cobrar por laudas?".

Enfim, por ser uma dúvida muito recorrente, acredito que este post servirá para mostrar o que penso sobre o assunto e como lido com ele.

Método e tipo de trabalho

Primeiro você precisa parar e avaliar o seu método de trabalho. E depois o tipo de trabalho que está sendo realizado.

Já falei sobre orçamento para revisão de texto. Não varia muito do que está lá. Acredite. :)

“Agora, Carol, peloamordedeus, quanto eu cobro?”

Aí eu é que pergunto: quanto você quer ganhar por mês? Quantas horas pretende trabalhar por dia? Em média, qual é a quantidade de laudas que você consegue revisar por hora?

Não, não é um trabalho simples, mas acho que você está entendendo aonde eu quero chegar.

É impossível dizer “ah, a média é essa”, porque não existe absolutamente nenhuma tabela, valor fixo, lei ou emenda constitucional para serviços de revisão de textos; nem no Brasil nem em nenhum lugar do mundo. E isso não acontece apenas com a área de revisão.

O que levar em consideração no orçamento de revisão

A fim de compor valores, é preciso levar em consideração o custo de vida da sua cidade, quais tipos de clientes você gostaria de atingir, os custos de manutenção do seu equipamento, as suas habilidades e por aí vai.

Alguém vai ressaltar que, quando se é iniciante, não se sabe quantas laudas/hora se é capaz de revisar. Ou ainda que varia muito de um trabalho para outro.

Para o primeiro problema, respondo: você precisa treinar com algum texto — e, se quiser um conselho, não treine diretamente no texto do primeiro cliente. Procure outro iniciante para que possam treinar juntos, um apontando erros do outro (peguem textos da internet; há aos montes sem revisão e com diversos erros). Durante esses treinos, monitore a sua velocidade de leitura.

Para o segundo problema, digo que, sim, é verdade. Mas é preciso um parâmetro, afinal de contas. É só uma média; quando for analisar o texto com o objetivo de orçar, avalie também as condições que o farão demorar mais ou menos na leitura.

Você vai errar até acertar

Tirando todas essas dicas, tudo é uma questão de ir ganhando experiência. Tenho quase 11 anos de lida e digo que todo dia aprendo algo novo. E aprendo também um pouco mais sobre a forma como trabalho. Então, para quem está começando, posso dizer que tudo parece difícil ou até mesmo incompreensível. Mas relaxe. É natural ter dúvidas; com o tempo você aprende a lidar com elas.

Fica também meu agradecimento e os créditos pela colaboração do Allan nesse texto. :D


Imagem: adapatada do freepik.com.


Escrito por Carol Machado,
em 4 de fevereiro de 2015.
Mestranda em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. Autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)
Foto de Carol Machado