Texto: 10 passos para escrever de forma mais eficiente

Você já experimentou a sensação de estar diante de uma tela — ou papel — em branco e não conseguir produzir sequer a primeira linha?

,18 de dezembro de 2013

Neste artigo, veremos que o planejamento da estrutura de um texto é tão importante quanto o seu conteúdo.

Você já experimentou a sensação de estar diante de uma tela — ou papel — em branco e não conseguir produzir sequer a primeira linha? Você tem ideias, mas, ao mesmo tempo, sente dificuldade em transformá-las em texto?

Para não perder horas do seu tempo construindo mentalmente um texto, e na hora de passar para a tela nada sair, a palavra fundamental é planejamento. Ao montar um esquema, você já vai ter meio caminho andado para um texto coeso[1] e coerente[2]. Depois de tudo planejado, basta ir preenchendo as lacunas e organizando as ideias. Você verá que o processo todo será bem mais simples.

Então, seja para uma dissertação em um concurso/prova, seja para um post em seu blog, você pode seguir as sugestões a seguir.

1. Defina o tema a ser discutido.

Pode ser bem simples e em um tópico, respondendo às seguintes perguntas:

  • Sobre o que vou falar?
  • Por que este assunto é interessante para o meu público-alvo?
  • De que forma vou falar?

 

2. Defina os argumentos que irá utilizar.

Já dizia um professor meu que todo texto é argumentativo, ainda que não se proponha a sê-lo diretamente. Você sempre estará tentando convencer alguém de que o seu ponto de vista é válido e, para isso, tente responder às seguintes perguntas: “por que alguém deve acreditar no que eu estou escrevendo?”; “qual é o meu nível de autoridade para fazer afirmações sobre o assunto?”. Sempre que necessário, traga pessoas reconhecidas no campo do tema sobre o qual está escrevendo em forma de citação no seu texto (e, por favor, nunca se esqueça de dar os créditos!).

 

3. Defina o que será abordado em cada parágrafo.

Às vezes uma palavra-chave é suficiente para guiar um texto todo. Para evitar o hiato de ideias que vem durante a escrita, tente definir uma para cada parágrafo. Assim, será mais difícil ter o famoso “branco” e você também diminui as chances de fugir ao tema. Pode-se também fazer um pequeno esquema, atribuindo uma palavra-chave para cada etapa ou respondendo às seguintes perguntas:

  • Parágrafo 1 - Introdução ao tema:
    • Sobre o que falarei?
    • De que forma vou atrair o interesse do leitor?
  • Parágrafo 2 - Desenvolvimento do argumento 1:
    • Quais são os desdobramentos do meu tema?
  • Parágrafo 3 - Desenvolvimento do argumento 2:
    • Há mais de um argumento que seja útil para reforçar a minha tese?
    • De que forma esse argumento se relaciona com o primeiro?
  • Parágrafo 4 - Conclusão e fechamento do tema:
    • O que é necessário fazer em relação ao tema? Qual é a deixa para gerar um debate com os meus leitores?

 

4. Tenha um objetivo.

Tenha sempre em mente a conclusão que você pretende obter do seu leitor. Para saber o objetivo, leve em conta também do perfil do seu público-alvo. Seus argumentos devem orientar o leitor para que ele concorde e seja convencido por aquilo que você está dizendo.

 

5. Pesquise sobre o tema.

Mesmo que você domine o assunto sobre o qual está falando, sempre é possível descobrir um novo dado ou um ponto de vista diferente do seu. E isso pode enriquecer seu texto, tornando-o mais abrangente e interessante para os leitores.

 

6. Não dispense as ferramentas de consulta.

Dicionários, gramáticas e o que mais for necessário para consultas devem estar sempre à mão. Um bom conteúdo tem de vir acompanhado de uma boa escrita e expressão correta. É na hora de escrever que surgem as dúvidas e é também nessa hora que mais aprendemos.

 

7. Peça que alguém leia o seu texto.

Ainda que você tenha escrito com todo o capricho do mundo, sempre podem restar alguns problemas, como ideias confusas e até mesmo alguma letrinha ou outra trocada. Um olhar externo pode apontar essas falhas. Se for possível contar com uma ajuda profissional, tanto melhor!

 

8. Afaste-se do texto durante um tempo.

Sabe aquelas receitas que pedem para deixar a massa “descansar”? Você pode fazer o mesmo com o seu texto. Quando voltar a ele, você verá que gostaria de mudar muitas coisas. É assim mesmo! Na hora de jogar as ideias no papel, não pensamos muito, mas, depois de certo tempo, tendo esquecido os detalhes da produção, adquirimos uma visão mais crítica sobre ela. Se não houver tempo hábil para isso, o item número 7 se torna fundamental.

 

9. Desenhe o seu próprio método.

As dicas que dou acima são formas que fui descobrindo e aprendendo ao longo dos anos para escrever de forma mais eficiente, diminuindo o tempo gasto por não saber exatamente aonde queria chegar com um texto. Entretanto, cada pessoa pode desenvolver uma forma específica de escrita, ajustando os passos à sua realidade e modelando as estratégias de acordo com as diferentes necessidades.

Por exemplo, um acadêmico que escreve artigos científicos possivelmente não seguirá os mesmos passos de escrita que um blogueiro ou jornalista, ainda que os resultados de todos sejam textos. Como dito, o mais importante é ter um planejamento, a forma como ele é feito torna-se totalmente personalizável.

 

10. Treine!

Seguindo os passos acima (ou seus próprios passos), a tarefa de redigir será cada vez mais fácil. Lembre-se sempre de que a prática leva à perfeição! Com o tempo, esse tipo de esquema torna-se praticamente automático e a escrita flui mais facilmente.

Escrever não é difícil quando estamos bem preparados. Leia bons textos, inspire-se neles na hora de escrever. Vá adquirindo seu estilo próprio aos poucos. Ninguém se torna escritor do dia para a noite, por isso, mais uma vez: treine!

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[1] Coesão: expressão formal das conexões de sentido que ligam entre si as partes de um texto.

[2] Coerência: relação lógica e harmônica entre ideias, atos, situações etc.; LÓGICA; NEXO.
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Você tem algum outro esquema de planejamento para escrever? Divida-o conosco nos comentários. :)


Escrito porCarol Machado,
em18 de dezembro de 2013.
Mestra em Ciências da Linguagem na Universidade Nova de Lisboa. Graduada em Letras pela PUCRS. Revisora desde 2008. É autora do Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante e coautora do Revisão de Textos Acadêmicos - boas práticas para revisoras, estudantes e a academia.
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