Revisão de textos e correção de redações, embora pareçam atividades profundamente conectadas, escondem suas próprias sutilezas que fazem delas, na verdade, competências diferentes.

Isso porque uma trabalha com o lado educacional do texto e a formação de pessoas com suas respectivas habilidades linguísticas. A outra busca dar qualidade àquilo que é publicado.

Não entrarei aqui no mérito e nos critérios de correção de redação para concursos públicos, que sei serem mais estritos do que as correções de sala de aula de ensino fundamental ou médio. Primeiro porque não tenho experiência em nenhum dos lados (nem prestando esse tipo de prova, nem as corrigindo), tampouco formação suficiente para isso.

Então, para entendermos as diferenças que separam as profissões de revisor textual e corretor de redações, vejamos quais são os objetivos de cada atividade.

Por que revisar textos?

O cliente que busca um revisor de texto geralmente não está procurando aumentar ou aperfeiçoar os próprios conhecimentos linguísticos (embora isso seja uma possibilidade), o que não é essencialmente ruim.

A pessoa que está escrevendo pode ser um redator, um advogado, um designer e até mesmo um engenheiro – ou seja, pode não ter necessariamente um ótimo conhecimento explícito de língua.

Esse é o motivo pelo qual o revisor não precisa dar explicações ou justificativas sobre as intervenções e alterações que fez no texto do cliente. O objetivo é ter um texto adequado ao público-alvo, com o maior grau de correção possível dentro da variante e do estilo adotados pelo autor.

Por que corrigir redações?

Já a correção de redações tem também o seu nobre propósito: ela é destinada a alunos, pessoas em formação escolar que precisam ter parâmetros do que é um texto bem-escrito. O papel do professor (de acordo com o que aprendi) não é corrigir toda e qualquer vírgula da produção do aluno, mas sim estimulá-lo a melhorar sua escrita (além de competências como argumentação, organização das ideias, etc.) a cada redação, mostrando pontos que podem ser estudados com mais afinco.

Isso quer dizer que, quando o professor corrige uma redação, ele não busca todas as falhas que o aluno possa ter cometido, tampouco faz alterações diretamente no texto. Ele aponta pouco a pouco o que pode ser melhorado (até para não traumatizar o estudante já de cara).

Até podem existir professores que fazem correções diretamente no texto de seus alunos, como um revisor faria, mas esta parece ser uma prática não muito efetiva, como aponta Eliana Ruiz (1998, p. 187):

[…] correções monofônicas, isto é, intervenções de tipo resolutivo, instauram uma relação assimétrica entre professor e aluno, onde apenas aquele detém o saber sobre o texto, e condicionam um determinado tipo de revisão por parte deste: cópias mecanizadas de soluções propostas pelo professor. (Grifos da autora)

Sendo assim, a correção de redações, além do objetivo educacional, tem também outro papel: a avaliação. O professor que lê o texto do aluno deve, em geral, atribuir-lhe uma nota, coisa que não existe em revisão. Ao revisor, quando muito, é solicitado que redija um parecer.

É interessante lembrar também que esse papel mais “brando” do professor é esperado no dia a dia em sala de aula. Correção de redações para concursos (públicos, vestibulares, seleções) é outro departamento, embora evidentemente ambas atividades estejam relacionadas.

Então revisores não podem corrigir redações e professores não podem revisar textos?

Um revisor pode corrigir redações? Pode, desde que tenha bagagem pedagógica e se prepare para tal. Não podemos nos esquecer de que professores são grandes mentores no desenvolvimento de novos profissionais. É preciso agir com a responsabilidade que esse papel exige.

E um professor pode revisar textos? Pode, desde que se informe sobre como funciona a revisão e seus pormenores em cursos da área ou livros. Isso porque, assim como a prática pedagógica, a revisão de textos engloba muitos outros aspectos além de se sentar em frente ao computador e começar a mudar vírgulas de lugar.

O que não pode? Misturar as duas atividades como se fossem a mesma coisa. Sem dúvida, ambas podem se complementar quando há critérios claros e capacitação para a atuação profissional em cada uma delas.

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Aprofunde o conhecimento sobre correção de redações e revisão de textos

Embora seja licenciada, não tenho experiência em ensino de língua portuguesa em contexto escolar. Por isso, para escrever este texto, baseei-me em parte na tese da professora Eliana Ruiz, cujo título é Como se corrige redação na escola.

Caso correção de redações seja um assunto de seu interesse, a tese pode ser encontrada em formato de livro, vendido também na Amazon: http://amzn.to/2fG2pRJ.

Já se você trabalha na área do ensino e gostaria de entender mais sobre a área de revisão de textos, confira o Manual de Sobrevivência do Revisor Iniciante. :)